Status: Proposta submetida
Programa: CNPq
Abrangência: Brasil e Bolívia
Sobre o projeto
A Associação Sul-Matogrossense de Meliponicultura (AME-MS) participa de uma proposta de cooperação científica entre Brasil e Bolívia voltada à identificação, ao conhecimento e à conservação das abelhas nativas sem ferrão em comunidades tradicionais da Bacia do Alto Paraguai e da Chiquitania.
A área de estudo reúne territórios de grande relevância ecológica nos dois países. No Brasil, o projeto contempla áreas da Bacia do Alto Paraguai em Mato Grosso do Sul, incluindo o Pantanal. Na Bolívia, as atividades concentram-se na região da Chiquitania, no departamento de Santa Cruz.
Essas regiões vêm passando por transformações associadas ao desmatamento, às mudanças climáticas, às queimadas e à expansão das atividades agropecuárias. Essas alterações afetam os habitats e os recursos florais utilizados pelos polinizadores, tornando necessário ampliar o conhecimento sobre a diversidade e a distribuição das espécies de abelhas nativas.
Objetivo
O projeto tem como objetivo identificar e caracterizar as espécies de abelhas sem ferrão presentes naturalmente na Bacia do Alto Paraguai, em Mato Grosso do Sul, e na região da Chiquitania, na Bolívia, de modo a subsidiar e implantar ações de conservação das abelhas e do meio ambiente.
Principais ações previstas
- Identificar as espécies de abelhas sem ferrão presentes naturalmente nas regiões pesquisadas;
- Caracterizar as plantas melíferas, os pólens e outros recursos florais utilizados pelas abelhas;
- Avaliar o potencial meliponícola da flora local e sua capacidade de suporte às populações de abelhas;
- Caracterizar as práticas de meliponicultura existentes nas comunidades participantes;
- Avaliar o potencial das espécies locais para produção de mel, pólen, própolis e para polinização assistida;
- Realizar coletas e identificação morfológica e molecular das espécies de abelhas;
- Criar uma palinoteca com amostras das espécies vegetais identificadas;
- Implantar meliponários comunitários com espécies nativas das regiões pesquisadas;
- Capacitar técnicos e meliponicultores;
- Criar um banco de dados georreferenciado utilizando a plataforma SISS-GEO.
Pesquisa em comunidades tradicionais
O trabalho será desenvolvido em comunidades tradicionais selecionadas nos dois países, integrando coleta de dados científicos e atividades participativas com moradores e meliponicultores.
No lado boliviano, a pesquisa prevê atividades em comunidades da Província Chiquitos, no departamento de Santa Cruz, incluindo territórios dos municípios de San José e Roboré. A seleção contempla comunidades indígenas e rurais com diferentes características ambientais e níveis de desenvolvimento da meliponicultura.
Além da identificação das espécies, serão levantadas informações sobre os métodos de criação utilizados, os produtos obtidos das colmeias e o conhecimento das comunidades sobre as abelhas e os recursos florais disponíveis em seus territórios.
Georreferenciamento e conservação
Os registros de abelhas, plantas e áreas pesquisadas serão incorporados a um banco de dados georreferenciado. A proposta prevê o uso do SISS-GEO para organizar e disponibilizar informações ecológicas e territoriais coletadas ao longo do projeto.
Essas informações poderão contribuir para compreender a distribuição das espécies, identificar áreas importantes para sua conservação e apoiar futuras ações de manejo e pesquisa na Bacia do Alto Paraguai e na Chiquitania.
Meliponários comunitários e capacitação
A proposta prevê também a implantação de meliponários nas comunidades participantes, utilizando espécies de abelhas nativas das próprias regiões.
Esses espaços deverão apoiar atividades de conservação, educação ambiental, capacitação e fortalecimento da meliponicultura local. Técnicos e membros das comunidades deverão receber formação para a criação e o manejo das espécies identificadas durante o projeto.
Resultados esperados
Os resultados esperados abrangem dimensões científicas, sociais e ambientais, entre elas:
- fortalecimento de uma rede de pesquisa entre instituições brasileiras e bolivianas;
- identificação das espécies de abelhas sem ferrão presentes nas áreas pesquisadas;
- identificação das plantas melíferas e elaboração de calendário de floração;
- avaliação do potencial meliponícola da flora e das espécies de abelhas locais;
- criação de uma palinoteca;
- produção de trabalhos e publicações científicas;
- formação de técnicos em meliponicultura;
- implantação de meliponários comunitários;
- produção de material técnico bilíngue;
- diagnóstico socioambiental das comunidades pesquisadas;
- georreferenciamento das espécies de abelhas e plantas identificadas;
- fortalecimento das populações de abelhas nativas e dos serviços ecossistêmicos de polinização.
Instituições participantes
A proposta reúne instituições brasileiras e bolivianas com competências complementares em meliponicultura, ecologia, botânica, genética, taxonomia e conservação.
Entre as instituições participantes estão:
- Associação Sul-Matogrossense de Meliponicultura – AME-MS;
- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS;
- Embrapa Pantanal;
- Universidade Federal da Bahia – UFBA;
- Universidad Autónoma Gabriel René Moreno – UAGRM, Bolívia;
- Asociación Departamental de Apicultores de Santa Cruz – ADAPICRUZ, Bolívia.
Papel da AME-MS
A AME-MS terá papel central na articulação das atividades de campo e de extensão do projeto. Entre suas atribuições estão a organização das visitas às comunidades nos dois países, a participação na coleta de amostras, a capacitação de técnicos bolivianos, a elaboração de materiais técnicos bilíngues e a formação de meliponicultores.
A Associação também participará da implantação dos meliponários comunitários em Mato Grosso do Sul e da avaliação das condições ambientais das áreas pesquisadas, contribuindo para relacionar o conhecimento científico às práticas de conservação e desenvolvimento da meliponicultura.

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