Status: Proposta submetida – Fase 1
Programa: Fondo Conexión Poli-LAC 2026
Abrangência: Brasil e Bolívia
Sobre o projeto
A Associação Sul-Matogrossense de Meliponicultura (AME-MS) apresentou ao Fondo Conexión Poli-LAC 2026 a proposta de cooperação bilateral intitulada “Cooperação bilateral para preservação das espécies nativas de abelhas sem ferrão em comunidades tradicionais da Bacia do Alto Paraguai no Brasil e da Chiquitania na Bolívia”.
A iniciativa busca unir conservação da biodiversidade, pesquisa científica e fortalecimento da meliponicultura em comunidades tradicionais de duas regiões ambientalmente estratégicas: a Bacia do Alto Paraguai, que inclui o Pantanal brasileiro, e a região da Chiquitania, no departamento de Santa Cruz, na Bolívia.
Esses territórios abrigam elevada diversidade biológica, mas vêm sofrendo os efeitos do desmatamento, das mudanças climáticas, das queimadas e da expansão das atividades agropecuárias. Nesse contexto, a conservação das abelhas nativas sem ferrão é especialmente relevante por sua participação na polinização da flora nativa, na regeneração dos ecossistemas e pelo potencial da meliponicultura como atividade de geração de renda para comunidades locais.
Objetivo
O projeto tem como objetivo identificar as espécies de abelhas sem ferrão presentes naturalmente na Bacia do Alto Paraguai, em Mato Grosso do Sul, e na Chiquitania boliviana, utilizando esse conhecimento para fortalecer a meliponicultura nas comunidades locais como estratégia de conservação ambiental e complementação de renda.
Principais ações previstas
- Identificação das espécies de abelhas sem ferrão presentes nas regiões estudadas;
- Caracterização das plantas melíferas e dos recursos florais disponíveis para as abelhas;
- Levantamento das práticas tradicionais de meliponicultura nas comunidades participantes;
- Avaliação do potencial das espécies locais para produção de mel, pólen, própolis e para polinização;
- Capacitação de técnicos e integrantes das comunidades em técnicas de meliponicultura;
- Implantação de meliponários comunitários com espécies nativas das próprias regiões;
- Criação de uma palinoteca para apoiar a identificação dos recursos florais utilizados pelas abelhas;
- Georreferenciamento das informações coletadas e organização de um banco de dados por meio da plataforma SISS-GEO.
Ciência, conservação e comunidades
A proposta combina levantamento científico da diversidade de abelhas e plantas com ações diretamente realizadas junto às comunidades. As atividades de campo deverão registrar espécies, recursos florais, métodos tradicionais de criação e produtos utilizados ou comercializados pelos meliponicultores.
Os dados obtidos também deverão ser georreferenciados, permitindo integrar informações ecológicas, produtivas e territoriais. A proposta prevê ainda a implantação de pequenos meliponários comunitários, que poderão funcionar como espaços de conservação, capacitação e divulgação da meliponicultura.
Resultados esperados
Entre os principais resultados previstos estão:
- ampliação do conhecimento sobre a diversidade de abelhas sem ferrão e da flora melífera da Bacia do Alto Paraguai e da Chiquitania;
- fortalecimento da cooperação científica entre Brasil e Bolívia;
- formação de técnicos e fortalecimento das práticas locais de meliponicultura;
- implantação de meliponários comunitários;
- produção de material técnico bilíngue;
- georreferenciamento das espécies de abelhas e plantas identificadas;
- fortalecimento das populações de abelhas sem ferrão e dos serviços ecossistêmicos de polinização;
- criação de novas oportunidades de geração de renda associadas à conservação da biodiversidade.
Instituições participantes
O Brasil é o país líder da proposta, tendo a Associação Sul-Matogrossense de Meliponicultura (AME-MS) como organização proponente e coordenadora.
No Brasil, participam da proposta:
- Associação Sul-Matogrossense de Meliponicultura – AME-MS;
- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, por meio do Campus do Pantanal e do Instituto de Biociências;
- Universidade Federal da Bahia – UFBA, por meio do Laboratório BIOSIS do Instituto de Biologia;
- Embrapa Pantanal.
Na Bolívia, participam:
- Asociación Departamental de Apicultores de Santa Cruz – ADAPICRUZ;
- Universidad Autónoma Gabriel René Moreno – UAGRM.
Papel da AME-MS
Além da coordenação da proposta, a AME-MS deverá organizar as atividades realizadas nas comunidades brasileiras, participar das coletas de campo, capacitar técnicos bolivianos em meliponicultura, colaborar na produção de materiais técnicos bilíngues e apoiar a implantação dos meliponários comunitários em Mato Grosso do Sul.
A iniciativa reforça a atuação da AME-MS na integração entre meliponicultura, pesquisa, conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável, ampliando também a cooperação institucional entre organizações brasileiras e bolivianas.

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